30 maio 2006

algures entre a realidade e a ficção

- posso apaixonar-me por ti?
- acho melhor que não o faças...
- porquê?
- não me posso apaixonar por ti... tenho namorado... e tu continuas apaixonado pela tua ex, não é?
- pois...
- mas gostava de mandar uma queca contigo...
- o quê?
- gostava... gosto de ti, és bonito...
- mas... não dá. onde? não temos privacidade...
- podemos ir à praia, vamos?
- não sei... não gosto de fazer isto... nunca "estive" com ninguém só por "estar"...
- és demasiado bonzinho... é só uma queca...
- ... não sei...
- 'tá bem.... esquece...
- ...
- quando formos embora daqui gostava de te levar comigo...
- para tua casa?
- não, para minha casa não pode ser... fugimos os dois...
- então, não estou a perceber... estás apaixonada por mim?
- não sei...
- não tens namorado?
- não sei... talvez não...
- por isso me chamas amorzinho?
- não sei... estou confusa... tu não estás apaixonado por mim, pois não?
- não... tenho o coração partido em três mil pedaços e ando à procura de cola... só isso...
- é pena...

sons...


at every occasion
ill be ready for the funeral



band of horses - everything all the time (2006)

the funeral

companhias para mais uma noite...


okkervil river - down the river of golden dreams



steve turner - searching for melody

29 maio 2006

conheci recentemente uma rapariga...

conheci muito recentemente uma rapariga que se tornou personagem principal de uma música. enquanto a imagem dela me queimava a retina, giravam na minha cabeça milhentas frases para lhe cuspir venenosamente quando, um dia, lha dedicasse (à boa maneira da idiot wind, do sr. robert allen zimmerman).

hoje só me lembro da tirada central: you´re pretty good looking girl, but you got no soul!

a melhor música de todos os tempos. hoje.

you´re a big girl now


our conversation was short and sweet
it nearly swept me off-a my feet.
and I'm back in the rain,
and you are on dry land.
you made it there somehow
you're a big girl now.

bird on the horizon, sittin' on a fence,
he's singin' his song for me at his own expense.
and I'm just like that bird,
singin' just for you.
I hope that you can hear,
hear me singin' through these tears.

time is a jet plane, it moves too fast
oh, but what a shame if all we've shared can't last.
I can change, I swear,
see what you can do.
I can make it through,
you can make it too.

love is so simple, to quote a phrase,
you've known it all the time, I'm learnin' it these days.
oh, I know where I can find you,
in somebody's room.
it's a price I have to pay
you're a big girl all the way.

a change in the weather is known to be extreme
but what's the sense of changing horses in midstream?
I'm going out of my mind,
with a pain that stops and starts
like a corkscrew to my heart
ever since we've been apart.


bob dylan - blood on the tracks (1974)

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quatro (cinco!) anos depois... (parte II)

evitava a todo o custo olhar-te nos olhos, espreitar-te a alma. sussurras-te qualquer coisa que eu fingi não ouvir e entretanto esqueci. um cumprimento, um "olá" que espera um beijo como resposta.

18/03/02

quatro (cinco!) anos depois... (parte I)

não te havia chamado. temia-te a ti e a este momento. tinha passado horas a ensaiar as minhas palavras, a contá-las, medi-las e pensá-las uma a uma, ocupando as minhas insónias com discursos geometricamente calculados. tudo para te causar o mínimo dano possível.

18/03/02

tivesse eu coragem

na última quinta-feira fui jantar com um grupo de pessoas que não conhecia. já tinha falado para elas, sabia o ponto de vista delas sobre algumas coisas, mas nunca as tinha visto. não interessa como nem porquê. jantámos, conversámos, brincámos... senti-me livre das amarras que me prendem, que me obrigam a ser aquele que as pessoas julgam que eu sou. senti-me bem. tenho sido mais "eu mesmo" nos últimos dois meses do que tive oportunidade de ser nos últimos anos. é tão mais fácil quando os outros não sabem quem somos e estão ali, à nossa frente, à espera de serem surpreendidos por uma qualquer simpática normalidade.

já tinha acontecido o mesmo quando acompanhei o joão à colónia de férias. senti-me um homem novo. e, agora, apetece-me realmente começar de novo. adorava ter coragem para partir. mala às costas, guitarra na mão e fugia para outro país, outra cidade. tivesse eu coragem e não estivesse eu tão preso a um irmão que, após uma semana longe de mim, não tem qualquer pejo em vir a correr abraçar-me quando regresso. "é o meu mano" grita. não estivesse eu tão preso a uma música e um projecto que dão sentido a uma semana que só o ganha quando se aproxima a hora de mais um concerto ou ensaio. não estivesse eu tão preso às pessoas que se vão lembrando de mim (exactamente aquelas que provocam em mim o mesmo tipo de movimento) e já me tinha ido embora: desta casa, desta cidade, deste pais. seria, aposto, um homem novo. assim vou continuar a ser o velho samuel. tivesse eu coragem...

e o cheque que a segurança social me deve no bolso!!

vi-te...

vi-te há pouco tempo, naquela rua que percorri todos os trezentos e sessenta e cinco dias de cada um dos cinco anos que entretanto passaram. perguntei-te como estavas. respondeste que estavas bem, "casada e com filhos". "vou agora regressar ao trabalho" acrescentaste. depois foi a minha vez de dizer que estava tudo bem, mas menti. devia ter dito "não... não está tudo bem, estou na merda... a miuda por quem te troquei e por causa de quem tanto te magoei acabou de dizer que já não me ama... vou agora mesmo ter com ela saborear esta dor por mais um bocadinho...". e não tenho emprego. e continuas bonita.

impressões nocturnas?

haverá quem lhes chame insónias...